O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou a abertura de uma apuração preliminar para investigar um suposto financiamento do governo de Donald Trump com potencial interferência nas eleições brasileiras. A atuação atende a uma representação enviada pela Advocacia-Geral da União (AGU). O caso tramita como procedimento prévio na Diretoria de Inteligência da corporação, sem que tenha havido a publicação de portaria para instaurar inquérito policial.12

“Recebemos representação da AGU sugerindo apuração de interferência externa. Foi encaminhado para a Diretoria de Inteligência para dar início à apuração. É uma investigação em andamento, um procedimento prévio. Não foi publicada a portaria do inquérito, mas já temos uma investigação em curso”Andrei Rodrigues1

Origem da representação e destinação de recursos

A representação da AGU foi apresentada na quinta-feira, 1º de outubro, direcionada simultaneamente à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento teve como base uma reportagem do jornal britânico The Guardian, que revelou a previsão de US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,2 milhões) originados do Departamento de Estado norte-americano para um projeto no Brasil. O montante visa financiar organizações da sociedade civil que questionam decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) com base em alegações de censura e abuso de atuação judicial, citando nominalmente o ministro Alexandre de Moraes.12

O valor previsto integra um conjunto mais amplo de 43 concessões do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do órgão norte-americano, totalizando US$ 176,9 milhões. Os documentos publicados pelo The Guardian não apontam qual entidade brasileira seria contemplada pelo projeto. Também não existe confirmação se os recursos chegaram a ser transferidos efetivamente ou se foram apenas empenhados.12

Posição da Justiça Eleitoral e análise de riscos

Sobre o tema do pleito, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, declarou que relatórios da corte não registraram indicativos concretos de ameaça internacional ou de interferência externa no processo de votação.2

“Nos nossos relatórios não apontam nenhum tipo de risco internacional ou do crime organizado. Não recebemos nenhum indicativo concreto disso até o momento”Kássio Nunes Marques2

No que diz respeito à segurança em território nacional, a Polícia Federal afirmou que não encontrou elementos concretos que comprovem risco efetivo contra representações diplomáticas internacionais, incluindo a embaixada dos Estados Unidos.12

“Não comprovamos nenhum elemento concreto que nos apontasse algum risco efetivo contra qualquer embaixada. Os elementos colhidos ontem não indicam nada concreto, nenhum plano que a gente tenha identificado”Andrei Rodrigues1
  1. AGU aciona a PF e a PGR após reportagem do The Guardian sobre financiamento do Departamento de Estado dos EUA
  2. PF cumpre mandados de busca e apreensão para apurar suposto plano de atos contra instalações diplomáticas dos EUA
  3. Área técnica da Polícia Federal analisa a representação encaminhada pela AGU
  4. Diretor-geral da PF confirma investigação preliminar na Diretoria de Inteligência; presidente do TSE descarta indícios concretos de interferência