O número de imigrantes mantidos sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) atingiu quase 66.000 pessoas em julho de 2026. A marca representa uma alta de quase 70% desde o início do segundo mandato de Donald Trump, impulsionada por uma nova estratégia operacional de detenções.1

As prisões de imigrantes mais do que dobraram em 15 estados norte-americanos e em Washington, D.C. O movimento registrou aceleração a partir de março e teve um salto expressivo em julho de 2026, com foco em ações cotidianas e parcerias locais.2

Mudança tática e substituições no comando

A alteração na conduta ocorreu após intensa repercussão negativa gerada por operações agressivas em cidades como Minneapolis e Chicago. Donald Trump prometeu conduzir as deportações em massa com uma postura mais discreta, descrita por ele como um toque mais suave:2

“um toque um pouco mais suave” No original, em inglês: “a little bit of a softer touch” Donald Trump2

A reformulação veio acompanhada de trocas na cúpula da segurança. Trump demitiu a secretária do Departamento de Segurança Interna (DHS), Kristi Noem, e o comandante da Patrulha de Fronteira, Greg Bovino, após agentes federais matarem Renee Good e Alex Pretti em Minneapolis durante a Operação Metro Surge, em janeiro.2

Markwayne Mullin assumiu a chefia do DHS com a meta declarada de cumprir os objetivos de deportação de Trump. A nova orientação priorizou a cooperação ampliada com forças policiais locais para diminuir o desgaste público das operações.2

Orçamento recorde e perfil das detenções

O Congresso norte-americano e o Executivo direcionaram mais de US$ 200 bilhões para o ICE e a Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) desde a posse presidencial. A quantia inclui cerca de US$ 70 bilhões aprovados pelos parlamentares em junho de 2026, montante que supera todo o orçamento fiscal somado do FBI, da DEA e do U.S. Marshals no mesmo ano.2

Apesar do volume de recursos, metade das pessoas presas pelo ICE em julho de 2026 não tinha nenhum contato prévio com a Justiça criminal, conforme dados divulgados pela própria agência imigratória.2

As fontes divergemExiste divergência sobre os antecedentes dos detidos pelo ICE. Uma análise do Transactional Records Access Clearinghouse (TRAC), ligado à Universidade de Syracuse, aponta que a maioria dos imigrantes presos não possui condenações penais. Já o DHS afirma que quase 70% dos detidos foram condenados ou respondem a acusações criminais no país, cálculo no qual a pasta inclui processos e acusações pendentes.

Deportações, violência e mortes sob custódia

De acordo com o DHS, a administração Trump já realizou 985.000 deportações, embora a pasta não tenha detalhado os números individualizados por agência governamental. Paralelamente, o governo oferece um pagamento de US$ 2.600 a imigrantes indocumentados que optem por aderir a um programa de saída voluntária classificado como autodeportação.1

O avanço das medidas de fiscalização foi acompanhado por episódios fatais e uso de armas. Ao menos 21 indivíduos foram baleados por agentes em serviço do ICE e do CBP durante o atual mandato, e duas mortes por disparos ocorridas no verão de 2026 permanecem em investigação.1

“Os agentes do ICE e da CBP são treinados para utilizar a quantidade mínima de força necessária para resolver situações perigosas, priorizando a segurança do público e a sua própria” No original, em espanhol: “Los agentes de ICE y CBP están capacitados para utilizar la mínima cantidad de fuerza necesaria para resolver situaciones peligrosas, priorizando la seguridad del público y la suya propia” Porta-voz do DHS1

Além dos disparos em campo, ao menos 59 pessoas morreram sob custódia do ICE desde o início da gestão, número que engloba ao menos 10 suicídios presumidos. Em junho de 2026, o ICE informou que não divulgará mais relatórios públicos sobre mortes de pessoas recentemente liberadas de suas instalações.1

As fontes divergemOs dados de mortalidade sob guarda estatal geram visões opostas. O porta-voz do DHS sustenta que a taxa de mortalidade sob custódia do ICE segue estável e que a agência mantém um padrão elevado de cuidados médicos. Por outro lado, apurações da CNN e relatórios das entidades Physicians for Human Rights e Human Rights First afirmam que o índice atingiu o maior patamar desde a pandemia e mais do que dobrou sob o segundo mandato republicano.