Mais de 5.500 brasileiros foram deportados dos Estados Unidos desde o retorno de Donald Trump à presidência americana, segundo dados compilados pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). A maior parte desse contingente acessou o território americano por vias formais: mais de 60% entraram legalmente com visto, mas perderam o status migratório regular após o vencimento do prazo permitido de estada.1

Os registros do órgão também indicam a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho americano antes da expulsão. Conforme o levantamento do ministério, 86,23% dos deportados realizavam jornadas de trabalho de oito horas diárias ou mais nos Estados Unidos.1

Tempo de residência e impacto familiar

Parte expressiva dos brasileiros deportados mantinha raízes de longa data no exterior: mais de 2 mil viviam no território norte-americano havia mais de cinco anos, incluindo cerca de 600 que residiam no país há mais de 15 anos. Apesar do tempo de fixação e dos laços construídos, 5.011 indivíduos analisados pelo MDHC (equivalente a 93,4%) regressaram desacompanhados ao Brasil.1

O impacto nos laços de parentesco também foi mensurado no programa Aqui é Brasil, mantido pelo MDHC. Dos 5.364 cidadãos cadastrados na iniciativa governamental, 3.661 pessoas (cerca de 69%) deixaram ao menos um membro da família em solo americano. Além disso, aproximadamente 21% daqueles com informações coletadas informaram ter deixado cinco ou mais parentes nos Estados Unidos.1

“Meu plano A era ficar nos EUA e meu plano B era fazer o A dar certo. Não existia a possibilidade de voltar pro Brasil.”Nikole Fernandes1
“Eu morri em vida e voltei, porque o mundo não para”Nikole Fernandes1
“Além de perder o lugar onde estava construindo a sua vida, a pessoa pode perder a sensação de controle sobre a própria história”Andrea Sebben1

Situação migratória da comunidade nos EUA

Estimativas do Pew Research apontam que a população brasileira residente nos Estados Unidos é de cerca de 2,9 milhões de pessoas. No universo total da comunidade, cerca de 250 mil vivem sem documentação regular e 37 mil enfrentam trâmites judiciais sob risco direto de deportação.1