Donald Trump reiterou a promessa de pagar um cheque de US$ 5 mil a cada cidadão americano adulto caso o Partido Republicano vença as eleições legislativas de novembro e conquiste o controle da Câmara dos Representantes e do Senado.21

A medida foi batizada por Trump como "dividendos Trump" e havia sido divulgada pela primeira vez em setembro, durante a convenção republicana em Dallas. De acordo com o republicano, os repasses seriam financiados pela arrecadação gerada por tarifas alfandegárias e por um alegado sucesso econômico recorde.21

“Se os republicanos vencerem a Câmara dos Representantes e o Senado, vou dar US$ 5 mil a todos os cidadãos adultos dos Estados Unidos. E os republicanos podem fazer isso, e os democratas não podem, porque estamos arrecadando quantias enormes de dinheiro por meio das tarifas e de um sucesso econômico recorde”Donald Trump2
As fontes divergemAs fontes divergem sobre a plataforma digital em que as declarações em vídeo foram veiculadas: O Globo relatou que o vídeo de Trump foi publicado na rede social X, enquanto a Exame informou que as gravações foram divulgadas na plataforma Truth Social.

Custo fiscal e restrições de uso

A distribuição dos cheques alcançaria aproximadamente 270 milhões de pessoas nos Estados Unidos, gerando um custo total estimado em cerca de US$ 1 trilhão. Para rebater preocupações fiscais, Trump afirmou que a pressão sobre o déficit público seria compensada por promessas de investimentos calculadas por ele em US$ 21 trilhões. Ele também estabeleceu inicialmente a ressalva de que a quantia paga precisa ser gasta exclusivamente dentro do país.21

Subsídio ao Medicare e cenário político

Em anúncio paralelo, Trump prometeu a concessão de um subsídio de US$ 100 para 20 milhões de aposentados para custear o Medicare Part B, segmento do programa voltado a serviços médicos e ambulatoriais, a partir do uso de US$ 2 bilhões do Fundo de Melhoria do Medicare (Medicare Improvement Fund). Em tom de advertência sobre o pleito, ele afirmou ainda que o sucesso dos adversários nas urnas acarretaria a abertura de um processo de impeachment contra ele e um colapso financeiro generalizado.1

“Se os democratas vencerem, teremos uma depressão econômica como a de 1929”Donald Trump1

Repercussão e análise jurídica

A iniciativa recebeu repúdio imediato de lideranças do Partido Democrata. O governador Gavin Newsom declarou que Trump busca comprar votos da população, enquanto o deputado Jamie Raskin descreveu a promessa financeira como suborno político. Sob o ponto de vista legal, o especialista em direito eleitoral Richard Hasen ponderou que o discurso de Trump tem proteção garantida pela Primeira Emenda da Constituição americana, citando um precedente firmado pela Suprema Corte em 1982.2