Em 20 de novembro de 2024, o Conselheiro de Segurança Nacional Jake Sullivan e o assessor Brett McGurk reuniram-se no Capitólio dos Estados Unidos com Mike Waltz e Steve Witkoff para alinhar a política externa para o Oriente Médio. No encontro, os negociadores da gestão de Joe Biden detalharam os termos de cessar-fogo formulados em negociações prévias em Doha, Jerusalém e Cairo, destacando que o principal entrave residia na concordância do Hamas sobre a lista de reféns a serem libertados na etapa inicial do pacto.
A interlocução formal deu andamento ao entendimento firmado entre Joe Biden e Donald Trump em 13 de novembro de 2024, quando ambos conversaram no Salão Oval e acertaram esforços conjuntos na transição, elegendo a crise de reféns em Gaza como prioridade. Indicado por Trump para o posto de enviado ao Oriente Médio, o empresário Steve Witkoff comprometeu-se a atuar junto à administração Biden para fechar o acordo de cessar-fogo e poupar vidas.
Articulação prévia e participação de JD Vance
A aproximação entre os governos teve início imediatamente após a eleição presidencial, momento em que McGurk contatou Jared Kushner para defender que as equipes atual e entrante adotassem uma postura alinhada perante Israel e o Hamas, ideia aceita por Kushner. Já durante a abertura da reunião no Capitólio, o vice-presidente eleito JD Vance compareceu sem aviso prévio na agenda e expressou disposição para cooperar ao longo do processo de transferência de governo.
Questão nuclear iraniana e diplomacia regional
O briefing de segurança abordou também o programa nuclear do Irã, cujo enriquecimento de urânio alcançou o patamar de 60%. Os negociadores de Biden detalharam planos de contingência de ataque militar dos Estados Unidos contra instalações atômicas iranianas caso o país avance para níveis bélicos de enriquecimento. Além disso, a equipe de transição recebeu o pacote diplomático voltado à normalização das relações entre Israel e a Arábia Saudita, apresentado como uma possibilidade aberta para a presidência entrante de Trump.
Colapso anterior das negociações
As conversas voltadas à libertação de detidos estavam travadas desde agosto de 2024. Na ocasião, as tratativas ruíram por completo depois que o Hamas executou seis reféns na área de Rafah, entre os quais estava o norte-americano Hersh Goldberg-Polin.