A 12 dias do primeiro turno das eleições brasileiras, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou a tribuna da Organização das Nações Unidas (ONU) para denunciar ações de interferência atribuídas ao governo de Donald Trump no processo eleitoral do Brasil.
Em seu discurso, o mandatário brasileiro convocou a comunidade internacional a refletir sobre a escolha entre soberania ou subordinação, enfatizando a autonomia nacional diante das pressões externas.
“A democracia está mais uma vez sob ameaça” No original, em inglês: “Democracy is once again under threat” Lula1
“Na América Latina e no Caribe, a proximidade com a maior potência do mundo é inescapável. O Brasil não cabe no quintal de ninguém” No original, em inglês: “In Latin America and the Caribbean, proximity to the world’s greatest power is inescapable. Brasil does not fit in anyone’s backyard” Lula1
Alertas da Abin e desinformação
A manifestação ocorre no contexto de alertas emitidos pela Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), que identificou investidas de Donald Trump contra a lisura do pleito no país. Conforme os apontamentos da agência, agentes ligados ao presidente norte-americano atuaram no treinamento de influenciadores e jornalistas alinhados à direita com técnicas voltadas para a disseminação de notícias falsas pela internet.
Tensões diplomáticas e retaliações comerciais
O atrito entre Brasília e Washington vinha se agravando nos dias anteriores à Assembleia Geral. Na quinta-feira que antecedeu o pronunciamento na ONU, a administração Trump classificou formalmente o território brasileiro como um centro global de distribuição de cocaína.
Além das acusações sobre narcotráfico, Trump aplicou tarifas comerciais sobre produtos do Brasil em represália à condenação jurídica sofrida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado por envolvimento em um plano de tentativa de assassinato contra Lula e de golpe contra as instituições de governo brasileiras.
Articulações políticas em Nova York
Durante a estada em Nova York para o encontro multilateral, Lula reuniu-se com figuras proeminentes da esquerda dos Estados Unidos. Entre os compromissos, esteve acompanhado pelo prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e pelo senador Bernie Sanders, representante do estado de Vermont.
“Foi uma honra mostrar como ele foi uma inspiração para muitos de nós na defesa dos trabalhadores e daqueles que vivem em dificuldades” No original, em inglês: “It was an honor to show how he was an inspiration to many of us to stand up for workers and those living in hardship” Zohran Mamdani1